Da série: “os termos da moda e o que realmente funciona”

A banalização do propósito

Photo by Marcelo Franchi



Era mais uma segunda-feira, pós almoço/reunião. O papo tinha sido bom e a conversa no caminho de volta pareceu até mais promissora. Como podem aqueles 5 minutos terem rendido mais do que os outros 60? Reuniões. Esse é um assunto que merece um texto todinho pra ele.


O que essa conversa rápida trouxe de interessante foi a percepção, de um executivo paulista, de que a palavra “propósito” esteja tão gasta. E o curioso é que a empresa onde ele trabalha, grande e relevante, ainda esteja engatinhando quando o assunto é boas práticas. Ou seja: a palavra está gasta, ainda que esteja longe de fazer parte do dia-a-dia.


Fiz uma pesquisa qualitativa com cerca de 20 profissionais de diversas áreas, para saber qual era o seu propósito. O que mais me chamou a atenção foi ver os termos “fazer a diferença na vida das pessoas” e “ajudar ao próximo”, repetido tantas vezes. Afinal, o mundo não me parece tanto esse poço de positividade.


Então como será que levamos esse sentimento de querer fazer a diferença para o nosso dia-a-dia? O que é fazer a diferença? E o que tem a ver com o propósito?


"O termo ikigai é um conceito japonês que significa “uma razão para ser”. É o equivalente da palavra propósito. É o porquê, o sentido de se fazer algo."

Essa figura ilustra bem o ikigai/propósito. Quando você trabalha com algo que goste, em que você é bom, que o mundo precisa e que é pago por isso…meus parabéns! Você atingiu o seu propósito:




Só que se você é bom em algo e é bem pago por isso, mas não necessariamente ama o que faz e trabalha com algo que o mundo bem que poderia viver sem, então você tem uma…profissão. E de acordo com o ikigai, você está confortável, mas com um sentimento de vazio.


Conclusão: é preciso atingir os 4 campos para que você esteja completo, segundo a sabedoria japonesa.


Quando falamos que “o meu propósito é fazer a diferença e ajudar as pessoas”, o que estamos dizendo é que tudo o que fizermos será por essa causa. E não precisa ser por meio de um voluntariado ou algo assim. É pra ser parte do dia-a-dia, com as pequenas e grandes ações, de forma consciente e condizente com o discurso.


Fato é que a busca da palavra “propósito” no google mais que dobrou no último ano, de acordo com a Exame de Maio/2019, cuja capa foi justamente “a força do propósito”. Estamos começando a nos preocupar mais com a jornada, com o porquê fazemos o que fazemos todos os dias.


Questionar o padrão e pensar diferente tem tudo a ver com inovação. Por isso esses termos estão tão conectados. Sim, já ouvimos falar muito de inovação. Sabemos que é importante e até aplicamos alguns workshops nas nossas empresas. Mas o que está sendo feito para mudar a cultura efetivamente, aquele monstro sólido e lento?


Agora o propósito é o termo da vez. Assim como a inovação, temos o desafio de sair da camada rasa e aprofundar o assunto, conscientes de que essa inquietação de entender o sentido das coisas sempre existiu. Apenas tem mais holofotes, pois faz parte da época em que vivemos.

Não precisa atropelar as coisas. Vai fazendo tudo aos poucos e com paciência, sem perder o foco com promessas milagrosas. Porque quando a esmola é muita, o santo desconfia.

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